Com as estações do ano cada vez mais rígidas, é natural e necessário que todos estejam preparados para treinar tanto no frio quanto no calor. Porém, não é pequena a quantidade de corredores que param de treinar por conta da temperatura baixa, desperdiçando uma ótima oportunidade de evolução que o clima favorece. Para ajudar a lidar melhor com as temperaturas baixas e usá-la a seu favor, vamos falar o que não pode faltar na hora de correr no frio.
Apesar de ser o clima onde mais se nota vontade e motivação para treinar, se exercitar no calor não é uma tarefa fácil. O corpo se desgasta mais para entregar um melhor rendimento, assim como fatores como hidratação pesam um pouco mais para manter o equilíbrio. Isso em todas as atividades, mas principalmente em atividades aeróbicas, como é o caso da corrida. Porém, toda a atmosfera e apel que uma alta uma temperatura promove, deixando parques e academias cheias, realmente é algo que estimula as pessoas a se dedicarem aos treinos.
Em resumo: O “projeto verão” tem um apelo muito forte.
Da mesma forma, por mais que já esteja comprovado o quanto temperaturas mais amenas ajudam no melhor rendimento, não é fácil encarar um parque num dia frio, não é mesmo? Além disso, é um cenário que carece de mais planejamento e gerenciamento, de acordo com o perfil e adaptação que cada corredor tem. Muitos conseguem treinar com vestimentas similares ao verão, enquanto outros sofrem bem mais.
Não à toa, muitas pessoas, principalmente aqueles que estão dando os primeiros passos na corrida, deixam até de treinar nesse período do ano.
Para que você não faça parte dessa turma que só treina no calor, separamos os principais acessórios para correr no frio e não perder os treinos.
Buff ou Balaclava
Muitos corredores ainda não têm o hábito — ou sequer conhecem — esse acessório simples, mas extremamente útil para os treinos em dias frios.
O buff (também chamado de gola multifuncional) e a balaclava ajudam a proteger o pescoço, parte do rosto e as vias respiratórias da ação direta do vento e do ar frio. Em temperaturas mais baixas, principalmente quando há vento ou baixa umidade, respirar um ar muito gelado pode causar desconforto, sensação de garganta seca, tosse durante a corrida e irritação das vias respiratórias, especialmente em pessoas mais sensíveis ou que possuem histórico de rinite, sinusite ou asma.
Ao cobrir parcialmente a boca e o nariz, o buff cria uma pequena camada de ar aquecido entre o tecido e o rosto. Isso faz com que o ar inspirado chegue um pouco mais quente e úmido aos pulmões, reduzindo o choque térmico durante os primeiros minutos da corrida e tornando a respiração mais confortável.
Outro benefício é a proteção contra o vento. Muitas vezes, a sensação térmica é muito mais influenciada pela velocidade do vento do que pela temperatura indicada no termômetro. Nessas condições, proteger regiões como pescoço, orelhas e parte inferior do rosto ajuda a manter a temperatura corporal e diminui o desconforto ao longo do treino.
Vale destacar que o buff não impede a transmissão de vírus nem evita gripes ou resfriados. O seu papel é proporcionar mais conforto térmico e reduzir a irritação causada pelo ar frio e seco. Quando utilizado corretamente, ele permite que muitos corredores mantenham a qualidade dos treinos mesmo durante o inverno, especialmente nas primeiras horas da manhã.
Buffs multifuncionais também têm a vantagem de poderem ser usados de diferentes formas, protegendo apenas o pescoço, cobrindo as orelhas ou funcionando como uma balaclava completa quando as temperaturas estiverem mais baixas.
Correr no frio com bandana ou touca
Apesar de o Brasil ser um país predominantemente tropical, os dias frios são cada vez mais frequentes em diversas regiões, especialmente no Sul e no Sudeste. Durante o inverno, não é raro encontrar temperaturas entre 10°C e 18°C nas primeiras horas da manhã, justamente o período preferido por muitos corredores para treinar.
Nessas condições, regiões mais expostas do corpo, como cabeça, orelhas e testa, costumam sentir o frio com maior intensidade. Além do desconforto térmico, a exposição prolongada ao vento pode causar dor nas orelhas, sensação de rigidez na cabeça e até dificultar a concentração durante a corrida.
É nesse cenário que acessórios como bandanas esportivas e toucas ganham importância.
Embora muitas pessoas utilizem esses itens apenas por conforto, eles ajudam a manter uma temperatura mais estável na região da cabeça, diminuindo a sensação térmica provocada pelo vento e tornando os primeiros quilômetros muito mais agradáveis. Em dias de frio moderado, uma simples faixa esportiva cobrindo as orelhas costuma ser suficiente. Já em temperaturas mais baixas ou com ventos intensos, uma touca leve confeccionada em tecido tecnológico oferece uma proteção mais completa.
Na hora da escolha, prefira modelos específicos para atividades esportivas. Tecidos tecnológicos são leves, possuem boa respirabilidade e secam rapidamente, evitando o acúmulo de suor e calor excessivo. Toucas muito grossas, feitas para ambientes de neve ou temperaturas negativas, costumam aquecer além do necessário para a realidade da maior parte dos corredores brasileiros.
Vale lembrar que nem sempre será necessário utilizar esse tipo de acessório. Em dias sem vento ou quando a temperatura sobe rapidamente após o nascer do sol, muitos corredores conseguem treinar confortavelmente apenas com uma camiseta de manga longa. O mais importante é observar como o seu corpo reage às diferentes condições climáticas e investir em acessórios para sua corrida que promovam esse conforto.
Manguito

Entre todos os acessórios utilizados para correr no frio, o manguito talvez seja um dos mais versáteis. Para quem ainda não conhece, trata-se de uma espécie de manga removível que cobre os braços, geralmente do punho até próximo ao ombro, oferecendo proteção térmica sem a necessidade de utilizar uma camiseta de manga longa.
Sua principal vantagem é a capacidade de adaptação às mudanças de temperatura durante o treino. Em muitas cidades brasileiras, principalmente durante o inverno, é comum sair para correr com temperaturas entre 10°C e 15°C e terminar o treino com mais de 20°C , momento onde as pessoas sentem mais calor. Nesses casos, escolher a roupa ideal pode ser um desafio.
É justamente aí que o manguito se destaca.
Nos primeiros quilômetros, ele ajuda a manter os braços aquecidos, reduzindo o desconforto causado pelo frio e pelo vento. Conforme o corpo aquece e a temperatura ambiente aumenta, basta retirá-lo rapidamente, sem precisar interromper o treino ou carregar uma segunda camiseta.
Outro benefício interessante é sua praticidade. Como ocupa pouco espaço, pode ser facilmente guardado no bolso de um short ou até preso na cintura caso deixe de ser necessário durante a atividade. Isso faz dele uma excelente opção para dias em que há grande variação de temperatura entre o início e o fim do treino.
Na hora da escolha, prefira modelos específicos para corrida, produzidos com tecidos leves, elásticos e respiráveis. Alguns ainda oferecem proteção contra os raios UV, tornando-se úteis não apenas no inverno, mas também em treinos realizados sob sol intenso.
Para muitos corredores, o manguito acaba substituindo a tradicional camiseta de manga longa justamente por proporcionar muito mais flexibilidade. É um acessório simples, leve e extremamente eficiente para quem busca conforto sem abrir mão da praticidade durante os treinos.
Segunda pele é ótima para correr no frio
Cada vez mais presente entre corredores de todos os níveis, a segunda pele é uma das peças mais eficientes para manter o conforto térmico durante os treinos de inverno. Diferentemente de uma camiseta comum, ela foi desenvolvida para permanecer em contato direto com a pele, formando uma camada de isolamento térmico que ajuda a conservar o calor corporal sem comprometer a mobilidade.
Seu grande diferencial está na combinação entre aquecimento e respirabilidade. Enquanto tecidos convencionais tendem a absorver o suor e permanecer úmidos por mais tempo, as segundas peles produzidas com tecidos tecnológicos facilitam a evaporação da umidade, mantendo o corpo seco mesmo durante treinos mais intensos. Isso reduz a sensação de frio causada pela roupa molhada, um dos principais fatores de desconforto durante corridas no inverno.
Por ser uma peça justa ao corpo, a segunda pele também evita o excesso de tecido balançando durante a corrida, proporcionando maior liberdade de movimentos e reduzindo atritos. Alguns modelos ainda oferecem compressão leve, que pode aumentar a sensação de suporte muscular e melhorar o conforto em treinos de maior duração, embora esse não seja seu principal objetivo.
Para quem costuma treinar regularmente durante o inverno, a segunda pele costuma ser um dos investimentos mais interessantes. Além de proporcionar conforto em dias frios, ela amplia as possibilidades de combinação com outras roupas e ajuda o corredor a enfrentar diferentes condições climáticas sem abrir mão do desempenho.
💡 Dica extra Runplace
Na hora de correr no frio, pense em camadas, e não em quantidade de roupas.
Uma combinação formada por segunda pele + camiseta técnica + corta-vento leve costuma oferecer muito mais conforto do que uma única blusa grossa. Além de aquecer melhor, ela permite retirar uma camada caso a temperatura aumente durante o treino, evitando superaquecimento e excesso de suor.
Luva
Entre todos os acessórios para correr no frio, as luvas costumam dividir opiniões. Enquanto alguns corredores conseguem treinar confortavelmente sem elas, outros consideram esse item indispensável assim que as temperaturas começam a cair.
Isso acontece porque as mãos estão entre as regiões do corpo mais sensíveis ao frio. Como o organismo prioriza a irrigação sanguínea dos órgãos vitais quando a temperatura diminui, é natural que as extremidades — mãos e pés — recebam menos fluxo de sangue. O resultado é aquela sensação de dedos gelados, perda de sensibilidade e dificuldade para movimentar as mãos nos primeiros quilômetros da corrida.
Embora isso nem sempre comprometa o desempenho, certamente interfere no conforto. Em dias muito frios, algumas pessoas relatam dificuldade para apertar os botões do relógio, abrir um sachê de gel de carboidrato ou até manter as mãos relaxadas durante a corrida.
As luvas ajudam justamente a minimizar esse desconforto. Ao manterem as mãos aquecidas, elas preservam a mobilidade dos dedos e tornam a experiência muito mais agradável, principalmente em treinos realizados nas primeiras horas da manhã ou em locais com vento intenso.
Outro benefício interessante é que elas permitem proteger as mãos sem causar superaquecimento. Os modelos desenvolvidos especificamente para corrida utilizam tecidos leves e respiráveis, capazes de manter o calor corporal enquanto eliminam o excesso de umidade. Algumas versões ainda contam com tecido compatível com telas sensíveis ao toque, permitindo utilizar o celular ou o relógio sem precisar retirar as luvas durante o treino.
Vale lembrar que nem todo corredor precisará utilizar luvas em dias frios. Pessoas que aquecem rapidamente ou que treinam em horários com temperaturas mais amenas talvez nunca sintam essa necessidade. Já para quem costuma sofrer com mãos geladas, elas podem representar um dos acessórios que mais aumentam o conforto durante a corrida.
Como adaptar seu treino para correr no frio com mais conforto?

Além de escolher os acessórios certos, vale fazer pequenos ajustes na forma como você treina durante o inverno. Eles podem parecer detalhes, mas fazem bastante diferença na qualidade da corrida e ajudam a reduzir o desconforto típico dos primeiros minutos.
O primeiro ponto é o aquecimento. Em dias frios, nosso corpo leva mais tempo para atingir a temperatura ideal de funcionamento. Os músculos ficam naturalmente mais rígidos e as articulações menos lubrificadas, aumentando a sensação de “corpo pesado” logo no início do treino. Por isso, sair correndo no mesmo ritmo que você utilizaria em um dia quente não costuma ser a melhor estratégia.
Antes de começar, caminhe por alguns minutos e faça movimentos dinâmicos, como elevação de joelhos, balanços de perna e pequenos deslocamentos. Esse aquecimento prepara a musculatura, melhora a circulação sanguínea e faz com que os primeiros quilômetros sejam muito mais confortáveis.
Outro aspecto importante é controlar a intensidade nos primeiros minutos. Muitos corredores sentem que a respiração demora um pouco mais para “encaixar” quando o ar está frio, especialmente em dias de vento. Começar em ritmo leve permite que o organismo se adapte gradualmente e evita aquela sensação de falta de ar ou desconforto na garganta que algumas pessoas experimentam durante o inverno.
No fim das contas, correr no frio costuma ser muito mais uma questão de adaptação do que de resistência. Com as roupas adequadas, um bom aquecimento e alguns cuidados simples, o inverno pode deixar de ser um obstáculo e passar a ser uma excelente oportunidade para manter a regularidade dos treinos. Muitos corredores, inclusive, relatam que, depois dos primeiros minutos, o frio proporciona uma sensação de conforto e um rendimento superior ao dos dias muito quentes